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Técnicas e Posições

Passagem de Guarda no Jiu-Jitsu: 5 Passagens Fáceis e Eficazes

Como passar a guarda organizando por tipo: fechada, aberta, meia-guarda e de laço. Os 3 princípios que valem para todas, 5 passagens fáceis e o que fazer quando a passagem falha.

Italo A. 9 min de leitura

Passar a guarda não é decorar cinco técnicas. Passagem de guarda no jiu-jitsu é saber qual usar contra a guarda que está na sua frente e o que fazer quando ela falha. Aqui a organização é por tipo de guarda do adversário: fechada, aberta, meia-guarda e de laço. Antes das técnicas, três princípios que valem para todas elas, porque sem eles nenhuma passagem funciona contra alguém que resiste.

Vídeo: Passagem de Guarda Toreando: Estratégia para Faixa Azul · canal Manual do Jiu-Jitsu

Os 3 princípios de qualquer passagem de guarda

1. Matar o quadril

O professor Victor Honório, do GFTeam, resume o primeiro pilar da passagem assim: matar o quadril do guardeiro. Faz todo sentido no tatame. Quem defende a guarda precisa girar o quadril para recolocar a perna, entrar embaixo de você, raspar. Se o quadril dele fica preso no chão ou apontado para longe do seu centro, ele vira um problema muito menor.

O erro clássico de faixa branca é tentar passar por cima dos joelhos enquanto o quadril do outro continua livre e girando. Você avança meio corpo, ele gira, e a guarda volta.

2. Pegadas antes de movimento

O segundo pilar da mesma entrevista é ter boas pegadas: sem controle das pegadas, o passador é raspado. Quem tenta passar com as mãos soltas, andando de lado, está oferecendo o próprio equilíbrio de graça.

A sequência mental certa é: pego, tiro a guarda do lugar, aí ando. Nunca ando primeiro.

3. Peso conectado (não força)

Pressão não é força muscular. Pressão é peso apoiado no lugar certo, com o corpo alinhado, geralmente peito contra peito ou ombro contra queixo. Quem passa na força chega ao terceiro rolamento morto. Quem passa com peso conectado gasta menos e incomoda muito mais o adversário.

Existe um trade-off aqui: passar em pé dá muito mais mobilidade para forçar a passagem, mas quanto mais ereto você fica, mais vulnerável a raspagens. Passar de joelhos é válido e mais estável, só limita sua mobilidade para transitar depois.

Qual passagem usar contra qual guarda

Guarda do adversário

Passagem indicada

O que resolver primeiro

Fechada

Abrir em pé ou poste de joelho

Abrir as pernas sem perder a postura

Aberta com pernas livres

Toreando

Controlar os joelhos por dentro

Aberta com ele sentado

Pressão por dentro (over-under)

Tirar o espaço e colar o peito

Meia-guarda

Cruzada de joelho (knee cut)

Ganhar o underhook e a cabeça

De laço / de la Riva

Quebrar pegada e gancho

Liberar o braço e matar o quadril

1. Guarda fechada: abrir em pé

Não existe "passar guarda fechada". Existe abrir a guarda fechada e depois passar a guarda aberta que sobrou. Essa é a primeira mudança de cabeça.

A passagem em pé também é chamada de passagem Carlson Gracie, com a criação atribuída ao mestre. A solução original era abrir a guarda afundando os cotovelos nas coxas do guardeiro, mas essa versão teve vida curta por ser difícil de aplicar em alto nível.

Um caminho simples e usado até hoje:

  1. Ajoelhado dentro da guarda, feche os joelhos pressionando os quadris do adversário.
  2. Pegue as duas lapelas e empurre-as na direção das axilas dele, mantendo os cotovelos colados no seu corpo.
  3. Suba um pé, depois o outro, sem soltar as pegadas.
  4. Em pé, com a coluna alinhada, empurre o quadril dele para o chão e afaste-o de você. A guarda abre.
  5. Assim que abrir, controle imediatamente os joelhos ou as calças. Guarda aberta sem controle é guarda aberta perigosa.

O detalhe de segurança: cotovelos colados e postura. Braço estendido e cabeça baixa dentro da guarda fechada é convite para chave de braço e triângulo.

2. Guarda fechada: poste de joelho

Se levantar ainda te derruba (e no começo derruba mesmo), o poste de joelho é a alternativa mais estável. Você mantém uma base baixa, apoia um joelho no chão bem próximo ao cóccix do adversário e usa o outro joelho como cunha, entrando entre a perna dele e o chão para forçar a abertura.

A vantagem: você é raspado menos. A desvantagem: da posição baixa sobram menos opções de passagem depois. É uma boa ferramenta de faixa branca enquanto a base em pé não está pronta.

3. Guarda aberta: toreando

O nome vem de "tourear" em português, pelo movimento do toureiro se esquivando do touro. É a passagem mais direta contra alguém deitado com as pernas livres na sua frente.

A mecânica: você controla as pernas do adversário com as duas mãos na calça, por dentro, na região dos joelhos, e move o seu corpo para o lado oposto ao que joga as pernas dele. As pegadas por dentro são o que impede ele de recolocar a guarda.

  1. Fique em pé de frente para ele, pegando as duas calças na altura dos joelhos, polegares por dentro.
  2. Estenda os braços, empurrando os joelhos dele para longe do seu quadril. É isso que mata o quadril.
  3. Jogue as pernas dele para um lado e ande para o lado contrário, mantendo as pegadas.
  4. Solte a pegada de baixo só quando seu peito já estiver chegando no peito ou no braço dele.
  5. Caia de cem quilos (side control), coloque o peso e conte três segundos antes de pensar em qualquer outra coisa.

Detalhe que muda o resultado: a entrada do toreando é baseada em velocidade, mas o final tem que virar pressão. Você acelera para chegar do lado e freia controlando quadril, braços e cabeça. Quem continua correndo lateralmente sem colar o peso só dá espaço para a recomposição de guarda.

4. Meia-guarda: cruzada de joelho (knee cut)

Também chamada de knee slice, knee slide ou quebra de joelho, é ensinada como técnica fundamental em equipes de competição de ponta. Contra meia-guarda ela é quase obrigatória no repertório.

A ideia é deslizar o joelho da perna presa por cima da coxa do adversário, em diagonal, enquanto você mantém o tronco colado no dele.

  1. Com a perna presa na meia-guarda, ganhe o underhook (braço por baixo da axila dele) do lado que você vai passar.
  2. Com a outra mão, controle a lapela do lado oposto ou a cabeça, para impedir que ele se vire de barriga para baixo.
  3. Incline o peso para frente e para cima, matando o quadril dele no chão.
  4. Deslize o joelho por cima da coxa dele em diagonal, em direção ao lado oposto do corpo.
  5. Liberou a perna, caia de cem quilos e estabilize.

Segurança no drill: deslize o joelho, não gire o corpo em cima da perna que ainda está presa. Se o joelho do parceiro travar e ele bater, pare na hora e volte ao começo.

O erro que custa caro aqui é esquecer o underhook e o controle da cabeça. Sem isso, ele se vira, pega o underhook dele e você entrega as costas no meio da passagem.

5. Guardas de pegada: laço e de la Riva

Guarda de laço e de la Riva não se resolvem com uma passagem mágica, e sim quebrando a conexão. A regra prática é sempre a mesma: primeiro a pegada, depois o gancho, depois a passagem.

No laço, enquanto ele tiver sua manga presa e a canela enrolada no seu braço, você não passa. Trabalhe para liberar o braço (circulando a mão, abaixando o cotovelo, virando a postura) e só então controle o joelho e escolha entre toreando ou pressão. Na de la Riva, o gancho no seu tornozelo precisa sair antes do resto.

Quem gosta de jogar essas guardas normalmente também tem berimbolo no repertório, então evite ficar muito tempo de joelho no chão com o quadril acessível.

Como escolher: biotipo e nível

Não é regra, é tendência de tatame. Quem é mais pesado, baixo ou menos móvel costuma render mais em passagens de pressão, como a cruzada de joelho e o over-under, em que o peso conectado faz o trabalho. Quem é leve e ágil costuma render mais em passagens de velocidade, como o toreando. Treine as duas famílias, mas construa seu jogo principal na que combina com seu corpo.

Se o quadril trava e você não consegue acompanhar o giro do adversário, vale investir numa rotina de mobilidade de quadril. Passagem travada muitas vezes é mobilidade travada.

Quando a passagem falha: a árvore de transição

Não existe passagem infalível. O que existe é encadeamento. Uma sequência que funciona bem para faixa branca e azul:

  1. Tentou o toreando e ele recolocou a perna do lado que você foi? Mude de direção e vá para o outro lado, sem soltar as calças.
  2. Ele girou o quadril e te deu as costas da perna? Vá para o leg drag, jogando a perna dele atravessada no seu quadril.
  3. Ele recolocou meia-guarda? Ganhe o underhook e entre na cruzada de joelho.
  4. Perdeu o underhook e ele sentou? Recomece: volte para as pegadas, mate o quadril, escolha o lado de novo.

A árvore sempre volta para o mesmo lugar: pegadas e quadril. Quando você perceber isso, para de "tentar passar" e começa a construir passagens.

Erros que custam a passagem

  • Passar por cima dos joelhos com o quadril dele ainda livre.
  • Ficar em pé com a postura ereta demais e as mãos longe do corpo dele.
  • Soltar as pegadas no meio do toreando e correr de lado.
  • Esquecer o underhook na cruzada de joelho.
  • Correr para a finalização antes de estabilizar a posição.
  • Confundir pressão com força. Se você está ofegante no primeiro minuto, é força.

Quantos pontos vale a passagem de guarda

Na pontuação IBJJF, a passagem de guarda vale 3 pontos. Montada e costas com ganchos valem 4, queda, joelho na barriga e raspagem valem 2, e a vantagem vale 1. O detalhe que decide luta: os pontos são assinalados quando o atleta estabiliza a posição por 3 segundos.

Ou seja, chegar do lado não é passar. Chegar do lado, colar o peso e segurar três segundos é passar. Se você passa e sobe direto para a montada, cada posição pontua ao completar seus três segundos: 3 pela passagem, mais 4 pela montada. Antes da sua primeira competição, treine especificamente essa pausa de estabilização, porque no treino a gente costuma pular ela.

O que treinar nesta semana

Escolha uma só: toreando se você é leve, cruzada de joelho se você é pesado. Faça 5 minutos de drill por treino com o parceiro em resistência baixa, focando em manter a pegada até o peito colar. Depois, em três rolamentos da semana, comece sempre dentro da guarda do parceiro e tente só abrir e passar, sem se preocupar em finalizar. Quatro semanas assim mudam mais o seu jogo do que aprender cinco passagens novas.

Perguntas frequentes

É melhor passar a guarda em pé ou de joelhos como faixa branca?

Os dois funcionam. Em pé você ganha muito mais mobilidade para forçar a passagem, mas quanto mais ereto fica, mais vulnerável a raspagens você é. De joelhos é mais estável e mais fácil no começo, só que limita a mobilidade para transitar depois. A recomendação prática é aprender a abrir de joelhos com poste de joelho e, em paralelo, treinar a subida em pé até a base ficar confiável.

Por que sempre me raspam quando levanto para passar?

Quase sempre é pegada ou postura. Sem controle das pegadas, o passador é raspado. Se você levanta com as mãos soltas ou com o tronco muito ereto e longe do adversário, ele encontra ângulo para te desequilibrar. Suba mantendo as duas lapelas ou as calças presas, cotovelos próximos ao corpo, e só ande depois que o quadril dele estiver neutralizado.

Quantos pontos vale a passagem de guarda no IBJJF? Chegar do lado já conta?

A passagem de guarda vale 3 pontos, mas os pontos só são assinalados quando você estabiliza a posição por 3 segundos. Chegar do lado e ser recomposto na sequência não pontua. Se você passa e sobe direto para a montada, soma 3 mais 4 ao final dos três segundos da última posição.

Qual a passagem mais fácil para quem é leve e pequeno?

Em geral o toreando, porque funciona por velocidade e ângulo em vez de peso. Você controla os joelhos do adversário por dentro, joga as pernas dele para um lado e anda para o outro. A ressalva é que a entrada é rápida, mas a finalização precisa virar pressão: cole o peito e controle quadril, braços e cabeça antes de comemorar.

Como abrir a guarda fechada sem tomar armlock ou triângulo?

Postura e cotovelos. Mantenha a coluna alinhada, o queixo longe do peito dele e os cotovelos colados ao seu tronco, nunca com os braços estendidos e soltos entre as pernas dele. Pegue as duas lapelas empurrando na direção das axilas, suba um pé de cada vez e só então empurre o quadril dele para o chão para abrir.

Para ir além

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Fontes consultadas

Este artigo foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de pesquisa em fontes citadas e passou por revisão editorial. Encontrou um erro? Fale com a gente.

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