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Berimbolo

Também: berimbolo reverso, bolo, baby bolo

Berimbolo é uma raspagem invertida que nasce da guarda De La Riva: você gira por baixo do adversário para chegar às costas dele. Não é uma finalização, é uma transição para a posição mais dominante do jiu-jitsu.

O que é

Vídeo: JOÃO MIYAO quer você berimbolando todo mundo! 3 BERIMBOLOS para iniciantes. · canal MiyaoVlogs

Na forma mais simples: você está na guarda De La Riva, enfia o quadril por baixo, gira (inverte) e sai nas costas do adversário. É raspagem e transição ao mesmo tempo. O objetivo final não tem nada de moderno: pegar as costas, montar o controle e finalizar de lá.

O nome remete ao movimento de rodar, enrolar, girar — a sonoridade lembra berimbau. A origem exata do batismo é discutida e não há uma versão oficial fechada.

De onde vem

Os irmãos Rafael e Guilherme Mendes são os nomes mais associados ao berimbolo, e foram eles que transformaram a posição em sistema completo de competição. Mas a posição é anterior: o faixa-preta Marcel Ferreira relata já fazer o movimento em 1993, na época em que treinava na Carson Gracie, como forma de impedir que um parceiro passasse sua guarda. Samuel Braga, da Gracie Barra de Belo Horizonte, também reivindica autoria do estilo. Ou seja: a autoria é assunto polêmico e não totalmente esclarecido. Quem diz com certeza que "os Mendes inventaram" está simplificando.

Os irmãos João e Paulo Miyao ficaram conhecidos por levar o jogo de inversões e costas ao extremo em competição, e ajudaram a espalhar a posição pela nova geração.

Como funciona

A sequência básica:

  1. Guarda De La Riva firme: gancho por fora da coxa dele, pegada na calça (ou no tornozelo) e controle da manga ou da lapela.
  2. Você puxa o adversário para cima de você e enfia o quadril embaixo dele.
  3. Inverte apoiando ombro e parte alta das costas no tatame, nunca o topo da cabeça.
  4. No giro, procura o controle das duas pernas dele por baixo (o chamado crab ride).
  5. Sobe nas costas e trabalha a finalização.

Sem as duas pegadas e sem o gancho bem encaixado, não existe berimbolo: você só se enrola e entrega a passagem.

Erros comuns

  • Girar apoiando o peso na cervical. Esse é o erro perigoso. Apoio é ombro e trapézio, queixo colado no peito.
  • Tentar antes de ter uma De La Riva que aguenta pressão. A guarda vem primeiro.
  • Parar no meio da inversão, sem migrar para o controle das pernas, e acabar em 50/50 com alguém mais experiente.
  • Achar que é finalização. Berimbolo te leva a um lugar; a finalização é outra conversa.
  • No no-gi funciona de forma bem mais limitada, porque você perde as pegadas de calça e lapela.

Variações

Berimbolo reverso, baby bolo, kiss of the dragon, reverse De La Riva. Todos são primos do mesmo movimento de girar por baixo para chegar às costas ou às laterais.

Vale aprender como faixa branca?

Não como prioridade. Faixa branca rende mais tempo aprendendo a manter uma guarda, raspar, passar e finalizar do básico, tipo chave de braço da guarda fechada e kimura. Mas entender o movimento ajuda a não ser berimbolado. Se quiser flertar com inversões, trate a mobilidade de quadril como pré-requisito e vá devagar com o pescoço. Em turmas infantis, quem decide o que entra no currículo é o professor — pergunte antes de ensinar inversões para criança.

Por que gera polêmica

Parte dos praticantes mais tradicionais vê o berimbolo como jogo de pontos, distante da autodefesa e cheio de risco para joelho quando cai em 50/50. A crítica tem fundamento no contexto de briga real, onde ficar de costas no chão com as pernas enroladas não é ideal. No jiu-jitsu esportivo com kimono, é uma das raspagens mais eficientes já criadas. São debates sobre contextos diferentes, não sobre eficácia.