Harai

Kimura

Também: chave kimura, ude-garami, gyaku ude-garami, double wrist lock, chave de ombro

Chave de ombro aplicada com uma pegada dupla no punho do adversário (figure-four), que gira o braço para trás e ataca principalmente a articulação do ombro. O nome é uma homenagem brasileira ao judoca japonês Masahiko Kimura.

De onde vem o nome

Em 23 de outubro de 1951, no gramado do Maracanã, Masahiko Kimura enfrentou Hélio Gracie diante de uma multidão. Kimura era bem mais pesado e mais novo. Venceu com uma chave de braço que no judô se chama ude-garami (ou gyaku ude-garami). Hélio se recusou a bater mesmo com o braço travado, e o fim veio do córner: Carlos Gracie jogou a toalha. Os relatos divergem sobre o tempo exato de luta e sobre a extensão da lesão no braço de Hélio, então desconfie de quem conta a história com precisão de cronômetro.

Depois disso, a própria família Gracie passou a chamar o golpe de "kimura", em homenagem ao adversário. O nome pegou no Brasil, atravessou o mundo junto com o MMA e hoje é usado em qualquer academia. Detalhe importante: Kimura não inventou a técnica. Ela já existia no judô e no catch wrestling, onde é conhecida como double wrist lock.

O que a kimura ataca

Você segura o punho do adversário com uma mão, passa o outro braço por trás do braço dele e agarra o próprio punho. Essa pegada em quatro (figure-four) trava o braço como uma alavanca. Ao girar o antebraço dele para trás e para cima, você força rotação externa do ombro com abdução. O ombro é o alvo principal. O cotovelo também é carregado, e em algumas variações a pressão chega ao punho.

É por isso que a dor aparece bem antes de qualquer estalo. Manguito rotador e lábrum não avisam duas vezes. Aplique devagar, sempre. E bata cedo: não existe prêmio por aguentar kimura no treino de terça.

De onde se aplica

  • Guarda fechada: uma das primeiras entradas ensinadas. Quebre a postura, puxe a mão dele para o chão ao lado do seu quadril e feche a pegada.
  • Meia-guarda: clássico para quem está por baixo. A kimura abre raspagem e às vezes vira pegada de costas.
  • 100 kg (side control): prenda o cotovelo dele no chão, controle o punho e gire. Erro clássico é deixar o cotovelo subir.
  • Norte-sul: pegada natural quando o braço dele fica exposto.
  • Em pé e na luta de agarramento: a kimura funciona como controle para derrubar ou virar por trás.

Mais do que finalização, a kimura é sistema de controle. Mesmo sem finalizar, a pegada trava um braço inteiro e vira moeda de troca para raspagem, passagem e pegada de costas.

Erros comuns

Puxar o braço em vez de girar o antebraço colado ao corpo. Soltar a pegada para "ajeitar" — se soltou, perdeu. Tentar da guarda fechada com o adversário de postura ereta e apoio firme. Esquecer de prender o cotovelo dele no chão vindo do 100 kg. E, o mais comum entre iniciantes, aplicar em tranco: sem aviso, sem tempo de bater.

Kimura e americana

A americana gira o braço no sentido contrário, com o punho indo em direção à cabeça. A kimura leva o punho para trás, em direção aos pés. Mesma articulação, sentidos opostos.

Regras

A kimura é liberada para adultos desde a faixa branca nas grandes federações, mas costuma ser proibida nas categorias infantis, justamente por atacar ombro e cotovelo. A variação que termina em chave de punho não vale para faixa branca adulta. Confira sempre o livro de regras da federação do seu campeonato antes de competir.